Como identificar gasolina adulterada?

De nada adianta pedir o teste se você não sabe identificar o resultado. Portanto, fique atento ao que o frentista do posto vai fazer para que, na hora, você saiba se a conta deu mesmo o que deveria dar. Vale lembrar que o teste é feito com a mistura da gasolina a uma solução aquosa de cloreto de sódio (NaCl):

  • Em uma proveta de vidro de cem mililitros, com divisões demarcadas a cada mililitro, serão colocados 50 ml da amostra de gasolina e os outros 50 ml da solução;
  • Deve-se chacoalhar - não muito rápido - o frasco cerca de dez vezes;
  • Depois disso, esperam-se 15 minutos para que as duas soluções fiquem separadas em duas camadas;

No máximo 23%
Segundo a ANP, a gasolina, de tom amarelado, ficará na parte de cima do frasco. A água e o(que vai misturado à gasolina), de tom transparente, ficarão na parte inferior. Dessa forma, veja qual foi o volume desse líquido transparente: o resultado deve ser subtraído por 50 mililitros (a quantidade da solução aquosa inicial). Esse resultado deve ser multiplicado por dois e, o novo resultado, deve ser adicionado a um.

Supondo que a altura da camada inferior (álcool e solução) seja 61 ml. Subtraindo-se 50 ml de água destilada, chega-se ao volume de 11 ml de álcool anidro. Multiplicando-se este último valor por dois e somando mais um, obtém-se 23 ml ou 23% de álcool - o máximo permitido pelo governo. Veja:

61 ml - 50 ml = 11 ml
11 ml x 2 = 22 ml
22 ml + 1 = 23 ml
23 ml = 23%

Contudo, a  ANP informa que há uma tolerância para essa, de um ponto percentual para cima ou para baixo. Em outras palavras, o resultado dessa soma pode dar entre 22% e 24%.

Estas misturas são totalmente prejudiciais ao rendimento do motor, da sua vida útil e ao meio ambiente. A única maneira de se tentar evitar isso é seguir os passos descritos abaixo:


- Identificar se a gasolina está adulterada
  • Motor começa a falhar logo após o abastecimento;
  • A marcha lenta se torna irregular, com constantes oscilações e falhas;
  • As partidas tornam-se mais difíceis tanto em baixa como em alta temperatura;
  • O motor irá "bater-pino", que são sintomas da pré-ignição;
  • O escapamento expele água em excesso, mesmo depois do motor estar aquecido.

- Consequências a médio prazo

  • Motor "engasga" ou chega a parar;
  • Desempenho e rendimento diminuem consideravelmente;
  • Perda gradativa da potência e torque do motor;
  • Falhas nas acelerações e retomadas de velocidade;
  • Maior índice de poluentes lançados pelo escapamento.

- Danos provocados por solventes

  • Deterioração prematura das borrachas de vedação do sistema de alimentação;
  • Aumento do depósito de carvão nas válvulas e nas velas de ignição;
  • Formação de goma no motor, nas válvulas injetoras, na haste da válvula de admissão;
  • Perda de eficiência do óleo lubrificante por contaminação;
  • Desgaste prematuro do motor.

- Como eliminar o problema

  • Fazer uma limpeza no carburador ou nas válvulas injetoras - para o sistema multiponto recomenda-se utilizar além da limpeza ultra-sônica a retro-lavagem*.
  • Eliminar o combustível adulterado do veículo e limpar todo o circuito, inclusive o tanque;
  • Trocar todas as mangueiras de borracha (devido a contaminação pelo solvente);
  • Substituir os diafragmas do carburador caso seu veículo não seja injetado;
  • Substituir o filtro de combustível;
  • Testar a válvula reguladora de pressão do sistema de injeção;
  • Testar a vazão da bomba de combustível.

- Escolher um posto de confiança

  • Tente abastecer sempre no mesmo posto. Em caso de adulteração, é mais fácil descobrir a origem;
  • Desconfie de combustível com preço muito baixo, pois, o mesmo pode estar adulterado;
  • Veja se o posto de sua preferência faz controle de qualidade do combustível anunciado pela distribuidora;
  • Cheque no posto se há lacres eletrônicos nos bocais dos reservatórios de combustível;
  • Caso você desconfie do combustível, peça para o frentista um teste do produto. Isso é um direito do consumidor;
  • Exija sempre a nota fiscal. Ela é prova que você abasteceu naquele posto;
  • Em caso de irregularidades, denuncie-o para a distribuidora ou aos órgãos de fiscalização.

* A retro-lavagem é fundamental para a limpeza completa da válvula injetora, garantindo assim, a total eliminação de resíduos da mesma.
Veja abaixo onde você poderá reclamar ou fazer uma denúncia:
Agência Nacional do Petróleo (ANP)
- Reclamações e queixas sobre combustíveis
- Tel: 0800 900-267      www.anp.gov.br
Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon)
- Denúncias e reclamações contra postos
- Tel: 0800 171-233
Instituto de Pesos e Medidas (IPEM)
- Fiscalização de bombas de combustível
- Tel: 0800 130-522

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